FILE Machinima 2010

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FILE Sp 2010

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FILE Rio 2010

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FILE Porto Alegre 2011

 

Introdução ao FILE Maquinema 2010

Pensar sobre o papel da arte na vida das pessoas enquanto conjunto e enquanto indivíduos não é tarefa fácil, mas é buscando resgatar aspectos intrínsecos à arte que o FILE Maquinema (machinima) apresenta uma seleção de mais de 40 filmes construídos em mundos virtuais, que de alguma maneira nos encantam, nos incomodam, nos fazem pensar sobre nós mesmos, sobre o universo que nos cerca e tantos outros assuntos.

Machinimas são, no início do século XXI, um meio de expressão consolidado, que nos mostra como o desenvolvimento das redes virtuais acaba por modificar as relações entre as pessoas do mundo inteiro.

A internet possibilita hoje uma troca de informações imensurável, em que pessoas geograficamente distantes podem trabalhar em projetos conjuntos e expor seus pensamentos das mais diversas maneiras, por mais bizarros, inteligentes ou espontâneos que sejam. O mais incrível, nesse contexto, é a força que a internet pode proporcionar aos seus usuários, a exemplo do machinima longa-metragem “War of Internet Addiction”, em que através da ideia de uma pessoa e da colaboração de várias o protesto de um grupo ganhou forma e imensa força.

Um dos grandes destaques da exposição, ganhador de uma Menção Honrosa e do Voto Popular do FILE PRIX LUX na categoria Linguagem Digital, “War of Internet Addiction”, criado pelo chinês Corndog e produzido pelo grupo Oil Tiger Machinima Team, foi lançado na internet no final de janeiro de 2010 e teve mais de 10 milhões de espectadores na primeira semana em que esteve disponível na rede. O machinima feito no World of Warcraft (WoW) é um protesto online contra a repressão e a tentativa das autoridades chinesas de controlar a internet no país. Segundo Corndog, o principal motivo do filme é a briga do governo e de companhias por lucros maiores sobre o jogo WoW, nunca levando em consideração as opiniões de seus jogadores. O machinima ainda satiriza a operação de companhias e empresas que priorizam seus lucros à ética profissional.

Além do caráter questionador, a produção de machinimas reflete um importante desenvolvimento que ocorre nas redes: pessoas espalhadas pelo mundo inteiro se conhecem graças às comunidades online de relacionamento e passam a utilizar as ferramentas e as plataformas dos jogos online em 3D para criar, se expressar e se posicionar diante do mundo.

Outro machinima longa-metragem presente na exposição é “Volavola”, do diretor italiano Berardo Carboni. Em “Volavola”, deparamo-nos com os mundos íntimos de personagens de três gerações distintas repletos de anseios, contradições, dúvidas e infelicidades; a busca por algo que faça a vida valer a pena e o viver em meio a sentimentos que promovem o vazio e que, às vezes, por serem tão fortes, intensificados ainda mais pela produção do “não-pensamento em massa” imposto pelas mídias analógicas, podem acabar em suicídio. O projeto possui duas versões: uma inteiramente realizada no Second Life (SL) e outra que será gravada em 2010 e que mesclará machinima, técnicas tradicionais e realidade aumentada.

Além dos longas, o FILE Maquinema 2010 conta com machinimas de curta-metragem que abordam diversos temas, entre eles, um dos indicados ao prêmio FILE PRIX LUX na categoria Linguagem Digital, “Wizard of OS: The Fish Incident”, do croata Tom Jantol. Baseado em fragmentos de escritos do renomado cientista e inventor do século XIX Nikola Tesla, o machinima mostra uma batalha entre um ser híbrido, meio humano, meio máquina, e um peixe. Segundo o artista, sua maior fonte de inspiração para fazer “Wizard of OS: The Fish Incident” foi a terrível conclusão de que os humanos são o vírus mais letal que o planeta possui e que nós não temos o antivírus. Na parte visual, há mistura de figuras em 2D e 3D, que mostram uma forma diferenciada de construir narrativas em plataformas virtuais em 3D como o SL.

Alguns trabalhos abordam questões próprias dos ambientes virtuais, como é o caso de “Postcard”, da inglesa Trace Sanderson, aka Lainy Voom, um machinima documentário que exibe vários locais construídos no Second Life, mostrando que há mundos encantadores espalhados pela rede e que qualquer usuário pode utilizar sua criatividade para produzir as coisas mais inusitadas, que talvez não fossem possíveis de ser realizadas no mundo real; o que importa é viver, experimentar, construir, sociabilizar-se e brincar das mais diversas maneiras. “Postcard” mostra, também, o diálogo entre o trabalho de Trace Sanderson enquanto machinimaker e seu projeto em conjunto com Tamara Russell, aka Gala Charoon, chamado “The Virtual Build Archive”, que, como seu próprio nome sugere, é um arquivo virtual cujo objetivo é documentar, através de machinimas, as mais belas construções feitas no Second Life. O trabalho proporciona aos ambientes virtuais uma certa materialidade que não lhes é própria, tornando palpável algo de caráter intrinsecamente efêmero.

Há, também, machinimas que surgem como um meio de documentar performances ou a realização de eventos culturais e artísticos nos ambientes virtuais em que as plataformas de relações sociais são transformadas em locais não só de convivência, mas de experimentação e criação artística. Em “Big Psomm 2”, do polonês Piotr Kopik, participantes voluntários escolhem uma parte do corpo de um avatar gigante para controlar em um evento experimental realizado no SL. Eles precisam se conectar para formar um avatar único e, para isso, há necessidade de colaboração e interação entre os participantes, que mostram como os trabalhos em rede são necessários para o sucesso de uma missão.

Já em “Alazi Sautereau”, da norte-americana Vivian Kendall, aka Osprey Therian, uma apresentação de dança oriental realizada pela artista de mesmo nome do machinima é documentada de maneira encantadora, e em “The Death of an Avatar”, da canadense Elizabeth Pickard, aka Liz Solo, o suicídio de um avatar é realizado como um show para uma plateia, transformando a internet em um grande palco de espetáculos.

Como falar de poesia em um grande mundo espetacular é exatamente a proposta do grupo alemão The Do Group, que mostra em “Der Erlkönig”, uma releitura de Der Erlkönig de Johann Wolfgang von Goethe, uma nova maneira de apresentar poemas para as novas gerações que crescem em um mundo tomado pela violência midiática e pelo bombardeio de imagens e informações a todo momento.

Os machinimas têm sido vistos, além de uma nova forma de expressão, como um possível futuro para o cinema convencional, e muitas discussões são lançadas, principalmente na internet, com o objetivo de avaliar as novas possibilidades que os ambientes virtuais em 3D acabam por proporcionar à indústria cinematográfica.

“The Monad”, do inglês Sam Goldwater, é um machinima feito utilizando os games Half Life 2, Eve Online e Second Life, e o principal objetivo de seu criador é mostrar que os machinimas podem ser comparados aos filmes feitos por meios convencionais, ao invés de serem encarados como experimentações da arte digital. Ele propõe, com “The Monad”, provar que histórias podem ser contadas com qualidade e baixos custos de produção, tornando os machinimas meios abertos de desenvolvimento de propostas.

Ainda há machinimas que, de alguma maneira, nos remetem aos clássicos do cinema convencional, como é o caso de “Saving Grace”, da alemã Simone Schleu, aka Sisch, que mostra a jornada de uma mulher ao universo e a relação entre ela e a máquina que controla a viagem, remetendo-nos a Hall 9000, personagem do clássico de Stanley Kubrick “2001 – Uma Odisseia no Espaço”. Já em “Daddy is Home”, de James Thorpe, a atmosfera criada em “Psicose” por Alfred Hitchcock é relembrada em meio à história de uma mulher esquizofrênica em busca de um marido que supra a posição de pai do seu filho fictício.

Considerações ao cinema convencional à parte, o grande poder dos machinimas reside exatamente nos meios em que eles são pensados, realizados e divulgados. Não pensamos mais em telas, tintas e papéis, mas em propostas sobre suportes digitais e sobre as possibilidades que o desenvolvimento da tecnologia pode trazer aos meios de expressão, principalmente no sentido de proporcionar a qualquer um meios de criar narrativas com baixos custos de produção e de usar tais meios para refletir sobre a própria produção atual de tecnologia e o uso das novas mídias. Portanto, é tendo em vista a diversidade de temas, enfoques, duração, tratamento de imagens e qualquer outra característica que possa representar alguma diferenciação na construção não só de filmes, mas de pensamentos, que o FILE Maquinema 2010 mostra parte dessa rica produção que está espalhada pelo ciberespaço.

 

Introduction to FILE Machinima 2010

It is not easy to think about the role of art in people’s lives as a whole and as individuals, but in an attempt to rescue intrinsic aspects of art, FILE Machinima presents a selection of over 40 films constructed in virtual worlds, that somehow enchant us, disturb us, make us think about ourselves, about the universe that surrounds us, and so many other subjects.

Machinimas are, at the beginning of the XXI century, a consolidated means of expression that shows us how the development of virtual networks ends up modifying relationships among people around the world.

Today, the Internet facilitates an immeasurable exchange of information, so that people geographically distant can work in collective projects and manifest their thoughts in the most different ways, no matter how bizarre, intelligent or spontaneous they can be. The most amazing thing, in this context, is the power given by the Internet to its users. For example, the machinima feature film “War of Internet Addiction”, in which, through a person’s idea and the collaboration of many others, the protest of a group took form and a acquired a huge power.

One of the exhibition’s highlights, winner of a Honorable Mention and the FILE PRIX LUX Public Prize in the Digital Language category, “War of Internet Addiction”, created by Corndog, from China, and produced by the Oil Tiger Machinima Team, was released on the Internet by the end of January 2010 and had over 10 million viewers only in its first week on the Web. The machinima made in the World of Warcraft (WoW) is an online protest against repression and the Chinese authorities’ attempt to control the Internet in the country. According to Corndog, the film’s core is the struggle by the government and companies to get larger profits from the WoW game, never taking into account its players’ opinions. The machinima also satirizes the operation of companies and firms that prioritize their profits to the detriment of professional ethics.

Besides its questioning character, the production of machinimas reflects an important development in networks: people spread all over the world know each other thanks to online communities, and start using tools and platforms of online 3D games to create, express themselves and make statements before the world.

Another machinima feature film in the exhibition is “Volavola”, by the Italian director Berardo Carboni. In “Volavola”, we come to know the inner worlds of characters belonging to three different generations full of contradictions, doubts and miseries; the search for something that can make life worthwhile, and the existence with feelings of emptiness that, sometimes, for being so strong and still intensified by the production of the “mass non-thought” imposed by analog media, may end up in suicide. The project has two versions: one entirely made in Second Life (SL) and another that will be shot in 2010 mixing machinima, traditional techniques, and expanded reality.

Besides feature films, FILE Machinima 2010 exhibits machinima short films addressing several themes, including “Wizard of OS: The Fish Incident”, by Tom Jantol, from Croatia, which was nominated for FILE PRIX LUX in the Digital Language category. Based on fragments of writings by Nikola Tesla, a renowned scientist and inventor from the XIX century, the machinima shows a battle between a hybrid being, half human, half machine, and a fish. According to the artist, his main source of inspiration for “Wizard of OS: The Fish Incident” was the terrible conclusion that humans are the most lethal virus in the planet, and there is no antivirus to fight it. In the visual aspect, there is a mixture of 2D and 3D figures that show a singular way to build narratives in 3D virtual platforms like SL.

Some works address subjects related to virtual environments. For example, “Postcard”, by the British artist Trace Sanderson, aka Lainy Voom, which is a machinima documentary focusing on several places built in Second Life, showing that there are charming worlds spread on the Internet and that anyone can use his or her creativity to produce the most unusual things, which perhaps would be unfeasible in the real world; what matters is to live, to experiment, to build, to be sociable and to play in the most different ways. “Postcard” also shows a dialogue between Trace Sanderson’s work as a machinimaker and her project with Tamara Russell, aka Gala Charoon, called “The Virtual Build Archive”, which, as the very title suggests, is a virtual archive that intends to document, through machinimas, the most beautiful constructions present in Second Life. The work provides virtual environments with a certain unusual material quality, making tangible what has an intrinsic ephemeral character.

There are also machinimas that document performances or the achievement of cultural and artistic events in virtual environments, where the social-relationship platforms are transformed into places not only of coexistence, but also of experimentation and artistic creation. In “Big Psomm 2”, by Piotr Kopik, from Poland, voluntary participants choose a body part of a giant avatar to be controlled in an experimental event carried out in SL. Since they must connect to form a single avatar, the collaboration and interaction among participants is essential, and they show how works conducted in networks can lead to a mission’s success.

In “Alazi Sautereau”, by Vivian Kendall, aka Osprey Therian, from the United States, a show of oriental dance, in charge of the artist whose name is the machinima’s title, is documented in a lovely way, while in “The Death of an Avatar”, by Elizabeth Pickard, aka Liz Solo, from Canada, the suicide of an avatar is conducted like a show before an audience, transforming the Internet into a great stage.

How to speak of poetry in such a spectacular world is the proposal of The Do Group, from Germany, in “Der Erlkönig”, a new version of Der Erlkönig, by Johann Wolfgang von Goethe. They create a new way to present poems for the new generations that grow in a world seized by violence in the media and the incessant bombing of images and information.

Machinimas have been considered not only a new means of expression, but also a possible future for conventional movies. There are many ongoing discussions, mainly on the Internet, with the objective of assessing the new possibilities provided by 3D virtual environments to the film industry.

“The Monad”, by Sam Goldwater, from Great Britain, is a machinima that uses Half Life 2, Eve Online and Second Life games. Its creator’s main objective is to show that machinimas can be compared with films made with conventional resources, instead of being considered experimentations with digital art. He intends, with “The Monad”, to prove that stories can be told with quality and low-cost production, turning the machinimas into open means to the development of proposals.

Other machinimas somehow remind us of classic, conventional movies. For example, “Saving Grace”, by Simone Schleu, aka Sisch, from Germany, that shows the journey of a woman to the outer space and her relationship with the machine that controls the trip, which makes us think of Hall 9000, the character in “2001: A Space Odyssey”, the classic film by Stanley Kubrick. In turn, in “Daddy is Home”, by James Thorpe, the atmosphere created in Alfred Hitchcock’s “Psycho” is echoed in the story of a schizophrenic woman who searches a husband that can act as a father to her fictitious son.

Leaving aside the discussions about conventional films, the great power of machinimas lies precisely in the means where they are thought, made and diffused. We no longer think of screens, paints, and papers, but of proposals on digital supports and of possibilities that the technological development can bring to the means of expression, mainly in terms of providing anyone with means to create narratives with low-cost production and of using such means to reflect on the very technological production and the use of new media. Therefore, taking into account the diversity of themes, approaches, duration, treatment of images and any other characteristic that may represent some differentiation in the construction not only of films, but also of thoughts, FILE Machinima 2010 exhibits part of this rich production diffused in cyberspace.

 

Obras | Works

Ammo Previz – Folie à Deux

Annie Ok – My Life as an Avatar 03-10

Annie Ok – My Life as an Avatar 04-08

Annie Ok – My Life as an Avatar 06-08

Blackace – Daddy is Home

CapKosmaty – Apocalypsis Ex Machinima

Chantal Harvey – A Woman’s Trial

Corndog & Oil Tiger Machinima Team – War of Internet Addiction

Demoplay – The Ship

Dopefish – Among Fables and Men

Finally Outlander – Volavola

Hadj Ling – The Black Chant

Hardy Capo – Control Point

IceAxe – Clockwork

IceAxe – Embers

Iono Allen – The Story of Susa Bubble

J. Joshua Diltz – Six Days

Lainy Voom – Fall

Lainy Voom – Postcard

Lainy Voom – Push 

Les Riches Douaniers – Chevauchée Nocturne

Les Riches Douaniers – Kamikaze

Liz Solo – The Death of an Avatar

Lorka – The Monad

Lyric Lundquist – Cradle and Trap

Lyric Lundquist – Cyberspace is Vast

Lyric Lundquist – Sideways Time

Nefarious Guy & Amorphous Blob Productions – Clockwork

Osprey Therian – Alazi Sautereau

Osprey Therian – Virtual Reality in the Future

Pineapple Pictures: Kate Fosk & Michael Joyce – Voices

Piotr Kopik – Big Psomm 2

Robbie Dingo – Watch the World(s)

Sisch – Saving Grace

Sisch – Transient

Surgee – The Demise

The Do Group: Cisko Vandeverre – Der Erlkönig

The Do Group: Cisko Vandeverre – Der Handschuh

Tom Jantol – Brief Encounter

Tom Jantol – Wizard of OS: The Fish Incident

Tutsy Navarathna – To Each One his own Dreams

Tutsy Navarathna – Vegetal Planet

Van Aerden & Nicolas Bonne – Metabup

Van Aerden & Nicolas Bonne – Transbup

Voom – Prometheus

Voom – The Blue Planet

Voom – Valentina, Riflesso

Zachariah Scott – Jill’s Song

 

Catálogos | Catalogs

FILE-SAO-PAULO-2010

FILE SP 2010 Download

FILE-RIO-2010

FILE Rio 2010 Download

 

Imprensa | Press

War of Internet Addiction”, We Make Money Not Art

Open Access: 11th FILE Festival in Sao Paulo by Pau Waelder

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