FILE Machinima 2013

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FILE MACHINIMA 2013

Ao longo dos últimos três anos, o FILE Machinima tem apresentado obras fílmicas realizadas em jogos digitais e ambientes virtuais interativos em tempo real, demonstrando a apropriação dessas plataformas por artistas do mundo inteiro. Cada proposta também corrobora com a legitimação da técnica para produção de conteúdo audiovisual. Algumas ratificam sua exploração como meio alternativo para contar histórias, reproduzindo convenções discursivas já consolidadas, enquanto outras priorizam a experimentação para criar novas experiências que se distanciam da narrativa cinematográfica.

O FILE Machinima 2013 abarca esse vasto universo, reunindo filmes que envolvem o espectador de diferentes maneiras. Para citar alguns exemplos, ele pode se sentir aflito ao imergir em uma história violenta, onde os anseios dos personagens o relembram a fragilidade humana (Remember Me). Seu incômodo ainda pode resultar de uma experiência visual em que representações de corpos humanos se retorcem, estremecem, desconstroem-se para depois se reconstruírem repetidas vezes, em uma viagem da figuração à abstração e vice-versa (What Remains e Low Budget Flesh Mandala). Por outro lado, seu deleite pode derivar da observação da chuva em locais vazios de uma grande cidade simulada (Another Day of Depression in Kowloon), ou o deslumbre pode ocorrer diante de explosões contínuas de cores e formas abstratas, como múltiplas pinturas gestuais ainda em processo (Geometry Wars).

Com o propósito de investigar as possibilidades estéticas produzidas na experimentação da tecnologia de jogos, destacamos a obra do artista venezuelano Victor Morales em uma instalação em tríptico composta por vídeos da sua série 30 Seconds or More – One Animation a Day. Em The Tree 01, o espectador sobrevoa um campo aberto e, em um determinado momento, adentra o solo. O percurso continua na escalada de uma árvore, a partir das suas raízes até os galhos de seu topo. A subida é combinada a uma composição sonora de ritmo pulsante que se harmoniza à visualidade do tronco que também palpita. Em Quantum People on Vacation, duas figuras humanas, uma feminina e outra masculina, partem da terra firme a um barco no meio do oceano. Essa não é, entretanto, uma trajetória comum, mas o momento em que os personagens se hibridizam no ar, transformando-se em um só. Nessa ação, é como se o tempo, o espaço e a matéria ganhassem novas dimensões, pois o espectador é levado a uma viagem sensorial, na qual visualiza as duas figuras imbricadas que, por momentos, transformam-se em um caos de cores e formas. Em Oasys of Buggy Threes, há um oásis por onde números explodem como um vulcão em erupção. Nas três situações, as figuras pulsam e o espectador é confrontado com níveis de complexidade da imagem inteligíveis apenas pela sua matriz digital, que possibilita a entrada e a saída em corpos e objetos, o acesso e a manipulação do seu código constituinte, e diversas passagens entre a figuração e a abstração.

Em termos gerais, o trabalho de Morales representa a marca desta exposição que é o que revela a relação entre o artista e o dispositivo: a sua capacidade de criar novos mundos a partir da reconfiguração da máquina em suas diversas camadas, desde a customização do ambiente virtual até a interferência no seu código de programação. As obras que resultam desse processo direcionam o olhar do espectador para novas situações estéticas surgidas nessa apropriação criativa, que representa também um ato de transgressão, pois são ações que vão além dos limites do espaço-tempo do jogo. Isso significa que a vivência das conjunturas previstas para o cumprimento dos seus objetivos se tornam secundárias ou inexistentes. O jogo é modificado e serve como base para propostas audiovisuais que retrabalham suas características e extrapolam quaisquer limites técnicos. O criador de machinima excede possíveis barreiras tecnológicas, sem nunca perder de vista a propriedade de estímulo à sensibilidade humana.

A mesa-redonda Machinima: Potenciais e Perspectivas e a palestra Machinima como Forma de Transgressão, ambas apresentadas nesta edição do FILE Symposium, complementam a curadoria do FILE Machinima 2013. A iniciativa de um encontro para a reflexão teórica sobre o papel do machinima em relação às novas mídias na criação artística e também como forma de expressão é inédita no Brasil e conta com a participação de pesquisadores e produtores da área de games e do audiovisual.

 

FILE MACHINIMA 2013

Over the last three years, the FILE Machinima has presented cinematic works carried out in digital games and interactive virtual environments in real time, showing that artists from all over the world are appropriating these platforms. Each proposal also corroborates the legitimation of those techniques for the production of audiovisual content. Some ratify their use as an alternative medium for storytelling, reproducing discursive conventions already consolidated, while others prioritize experimentation to create new experiences that draw away from cinematic storytelling.

FILE Machinima 2013 encompasses that vast universe, bringing together films that involve the viewer in different ways. To name just a few examples, the viewer can suffer while he plunges into a violent story, where the characters’ aspirations evoke human frailty (Remember Me). His discomfort can also result from a visual experience in which representations of human bodies twine, shudder, deconstruct and then rebuild over and over again on a journey from figuration to abstraction, and vice versa (What Remains and Low Budget Flesh Mandala). On the other hand, his delight can derive from the observation of rain in empty places in a simulated large city (Another Day of Depression in Kowloon), or he can be amazed before continuous explosions of colors and abstract shapes, as multiple gestural paintings in progress (Geometry Wars).

With the purpose of investigating the aesthetic possibilities provided by experimentation with game technology, we highlight the work of Venezuelan artist Victor Morales in a triptych installation composed of videos from his series 30 Seconds or More – One Animation a Day. In The Tree 01, the viewer flies over an open field and, at a certain moment, enters the soil. Then he must climb a tree from the roots up to the branches on the top. The ascent is combined with a sound piece with a pulsating rhythm which harmonizes with the visuals of the trunk that also throbs. In Quantum People on Vacation, two human figures, a male and a female, leave the mainland on a boat and go offshore. This is not, however, an ordinary trajectory, but the moment when the characters hybridize in the air, becoming a sole being. In this action, it is as if time, space and matter were gaining new dimensions because the viewer is led to a sensory journey, where he visualizes the two intertwined figures who, at times, become a chaos of colors and shapes. In Oasys of Buggy Threes, there’s an oasis where numbers explode like a volcano erupting. In these three situations, the figures pulsate and the viewer is confronted with levels of complexity of the image which are only understandable by their digital matrix, which allows the input and output in bodies and objects, the access and manipulation of their constituting code, and several transitions between figurative elements and abstraction.

Morales’ work represents in general terms the concept of this exhibition which is the relation between the artist and the device: his ability to create new worlds from the reconfiguration of the machine in its many layers, ranging from the customization of the virtual environment to the modification in its programming code. The works resulting from this process lead the viewer’s gaze to new aesthetic situations arising from this creative appropriation, which also represents a sort of transgression, once such actions go beyond the space-time limits in the game. This means that the experience of situations planned for the achievement of its goals become secondary or nonexistent. The game is changed and serves as a foundation for audiovisual proposals that re-process its characteristics and extrapolate any technical limits. The creator of machinima overcomes potential technological barriers, but he always takes into account the stimuli to human sensibility.

The round-table discussion Machinima: Potentials and Perspectives and the lecture Machinima as a Way to Transgress, both included in this edition of FILE Symposium, complement the curatorship of FILE Machinima 2013. The unprecedented initiative in Brazil to hold a meeting for theoretical reflection on the role of machinima in relation to new media in artistic creation, as well as a way of expression, has the participation of game and audiovisual researchers and producers.

 

Obras | Works

Alan Sondheim – What Remains

Benjamin Bardou – Do Computers Dream of Electronic Sheep?

Chat Noir Studios – Remember Me

Chris Howlett – Metropolis: Part I-III

Edward Folger – The Melancholy of Resistance

Hypatia Pickens – Design

Hypatia Pickens – Wulf and Eadwacer

IceAxe – The Chapelside Deception

Iono Allen – The Inevitability of Fate

Ip Yuk-Yiu – Another Day of Depression in Kowloon

Jo Ellsmere, Pyewacket Kazyanenko & Kai Steamer – The Mask: a synchronicity

Kent Sheely – Adaptation Series 

Kent Sheely – Ready for Action Series 

Marco Mendeni – FOV01

Marco Mendeni & Bob Meanza – I’m not playing 

Nicolas Boillot – Geometry Wars

Saveme Oh – Oh! to be invited to the Venice Biennale

Saveme Oh – Play in me

Tutsy Navarathna – The Last Syllable of Recorded Time

Victor Morales – 30 Seconds or More – One Animation a Day

Victor Morales – Vogelstimmen 

 

Catálogo | Catalog

FILE-SP-2013

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